[Verse 1]
Mendigo desprovido, sem lar, sem abrigo
Em qualquer lugar que está, a sua presença é um incômodo (É um incômodo!)
Causando um mal-estar em quem lança um olhar
Em nenhum estabelecimento pode entrar (Pode não!)
Seja loja, restaurante ou bar
O seu único direito é carregar um papelão
Deita na calçada, a sua cama é o chão (É o chão!)
[Verse 2]
Ele é o descaso da nação (Que situação!)
Um desafortunado que não vale um tostão
Vive à custa das migalhas que alguém coloca em sua mão
É chamado de "espalha-lixo"
Nem nos descartes dos outros ele pode pôr a mão
O seu banheiro é o chão
Essa é a triste realidade de um mendigo chamado João (Ô, João!)
[Bridge]
Faz sua necessidade em qualquer lugar
Quem passa e o flagra, basta virar o olhar
Mas teve uma que para o guarda foi denunciar
O guarda chegou perto pronto para apavorar:
— "Guarda essa pirosca!", o guarda começou a falar
[Stop]
[Spoken Word / Dialogue]
Ele retrucava: "Só guardo se o nome certo você chamar"
O guarda curioso perguntou: "Qual é o nome que eu tenho que chamar?"
O mendigo assim falou: "É LUNETA que você tem que chamar!"
O guarda perguntou: "Luneta por quê?"
— "Se enfiar naquele lugar, estrelas você vai ver!"
[Verse 3]
[Chorus-like energy]
Foi a maior surra que o mendigo veio a levar (Coitado do João!)
Ficou todo machucado, mas o jogo veio a virar (O jogo virou!)
Um advogado processou o Estado, que teve que indenizar
Agora com o dinheiro, o João tem casa pra morar! (Tem casa pra morar!)
[Outro]
João agora tá de patrão! (Tá de patrão!)
Tem casa, tem teto e tem proteção! (Que alegria!)
Valeu, João!
[End]