Br… br… br… br…
Respiro fundo, mas o peito pesa,
o passado bate forte na cabeça.
Meu chefe,
houve um dia que marcou a minha história,
quando vendeste a tua alma sem memória,
a um racista,
só pra cresceres,
só pra subires,
pisando em nomes, rostos e seres.
Inventaste mentiras como armas,
usaste palavras pra ferir,
pra castigar.
Foi nesse exato momento
que eu decidi parar,
recusar o teu jogo,
recusar-me a calar.
Dali pra frente
foi só o tempo a passar,
tu a sorrir nas alturas,
eu a aprender a aguentar.
Aproveitaste-te da minha queda,
da minha fraqueza, da minha dor,
preso a uma cadeira,
sem poder andar,
mas ainda humano,
ainda com valor.
Refrão
Agora eu luto, eu luto pra viver,
cada dia é batalha pra não ceder.
Tu pensaste que eu ia cair,
desaparecer,
mas da dor nasce força
e eu aprendi a renascer.
Agora eu luto, eu luto pra quebrar
as correntes que tentaste apertar.
Não é vingança,
é verdade a gritar,
é justiça no tempo
que ninguém pode parar.
Br… br… br…
Quantas noites em silêncio,
quantas lágrimas escondidas,
quantos sonhos quebrados
pra manter tuas mentiras erguidas.
Falaste de mérito,
mas usaste discriminação,
falaste de sucesso,
mas vendeste o coração.
Quem cresce sem alma
um dia vai cair,
porque o topo vazio
não sabe sorrir.
Ponte
Hoje eu levanto devagar,
mas levanto com dignidade,
cada passo que dou
é um soco na injustiça,
é verdade.
Não preciso ser como tu,
não preciso mentir,
a minha força vem da queda,
da dor que me ensinou a resistir.
Refrão (mais forte)
Agora eu luto,
não vou parar,
não me calo,
não vou baixar.
Tentaste enterrar-me vivo,
mas esqueceste de um sinal:
quem sofre aprende a lutar.
E se um dia o ar te faltar,
quando a máscara cair,
vais lembrar do que fizeste
quando me viste cair.
O tempo não perdoa,
a consciência também não,
crescer sem alma
é a pior prisão.
Br… br… br… br…
Eu sigo em frente,
mesmo ferido,
mesmo cansado,
mas nunca vendido. Pra racistas aceitar teu colhado tentar castigar também vai se apegar no dia teu esse dia a o fim