[Intro – falado]
Ya...
Casa do Isma
Casa de chuto...
Play ligado, fumo no teto...
Careca a brilhar — pá! — chapada direto.
Bem-vindo à trincheira, mano... isto não é só jogar.
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[Verso 1]
Casa de chuto, portão ferrado, dobradiça a gritar
Cheiro a charro queimado, cinza no ar
Play a bombar, PES no comando
Sofá desfeito, mas o bonde ocupando
Cinzeiro lotado, chama a girar
Uns puxam fumo, outros só a mirar
Bicho no canto, olhar sem fala
Mas quem vê nos olhos, lê dor que racha
Teto pingado, calor sufocante
Zero luxo, mas o clima é vibrante
Entrar era rito, quebrava moral
Chapada na careca — pá! — gesto brutal
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[Refrão – 2x]
Casa de chuto, templo do fumo
Paredes suadas, caos sem rumo
Gargalhas no ar, mente a ferver
Refúgio da rua, ninguém vai esquecer
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[Verso 2]
Ali não se janta, só se bate dois
Mas sabíamos bem — ali, todos heróis
Fumo a dançar, papo sincero
Uns riam alto, outros no mistério
Lá fora é guerra, no bairro é tensão
Mas ali o coração batia união
Careca brilhante — flash de sinal
Se estavas no mundo da lua — pá! — ritual
Uns sumiram, outros ficaram
Mas todos na casa um dia se rasgaram
Entravas pesado, saías na brisa
Mesmo na sujidade, aquilo era Ibiza
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[Refrão – 2x]
Casa de chuto, templo do fumo
Paredes suadas, caos sem rumo
Gargalhas no ar, mente a ferver
Refúgio da rua, ninguém vai esquecer
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[Verso 3]
Hoje vejo de longe, aprendi no sufoco
Barraco quebrado, mas cada um era pouco
Sem máscara, sem cena, olho no olho
Dividia-se tudo, do pão ao molho
Vi mais verdade ali que no sistema
Lealdade crua, sem esquema
Casa de chuto, história sem filtro
Sem coroa, mas com espírito limpo
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[Verso Final – Fast Flow]
Cabeça no tempo, cicatriz aberta
Dor escondida, rua é alerta
Fumo no canto, silêncio que pesa
Olho na janela, presença indefesa
Bófia na esquina, giro a rondar
Mas nós de chinelo, prontos p’ra dar
Careca a brilhar — estalo mortal
Palmada no coco — pá! — caos total
O tempo voa, mas não apaga
A casa de chuto ficou na saga
Vivemos no risco, na pele e na raça
E a verdade do gueto rasga sem trapaça
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[Outro – falado]
Hoje ninguém entra...
Mas todos lembram.
Casa de chuto —
Gravada no sangue do bairro.
Brr... Shhh...