Basta, baste, baste
Da merda que está a acontecer
Portugal grita “chega”,
Quer mandar brasileiros embora
Como se a dor tivesse passaporte
Como se o sangue tivesse fronteira
Basta dessa guerra entre irmãos
Brasileiro, português,
Só existe uma vida, um coração
Mas plantam o medo
Pra colher divisão
Na Alemanha cresce a raiva,
AfD quer expulsar
Esquecem que o estrangeiro
Também tem peito pra lutar
Construiu estrada, casa, fábrica
Mas na hora do ódio
Querem apagar
Na França todos querem mudar,
Mas mudam separados
Sem saber aproveitar
Essa Europa que nasceu do sonho
E agora afunda no próprio passado
É um escândalo humano
Quem tem mais quer escravidão
Outra vez o mesmo plano:
Poder, dinheiro e submissão
Querem o povo calado
Querem o pobre com medo
Mas esquecem que a história
Não perdoa esse enredo
Enquanto isso no Brasil
O povo sofre, mas resiste
Divide o pão, faz churrasco
Sorri mesmo quando insiste
Agradece por estar vivo
Mesmo com pouco no prato
Porque dignidade não se compra
Nem se aprende no ódio barato
Basta, baste, baste
De fingir que isso é normal
Não é imigração o problema
É a ganância global
Se o mundo cai de novo
Não será por quem chegou
Mas por quem, tendo tudo,
Nunca soube amar nem partilhar
Nunca soube ser humano
Nunca soube agradecer