Sou Caxineiro de Coração
Sou caxineiro de coração,
cresci com o mar nos pés e a fé na mão.
Vi o Varzim fazer o enterro ao Rio Ave,
era criança, mas lembro como se fosse ontem à tarde.
Quando o Rio Ave subiu à primeira divisão,
o Varzim caiu… que dor no coração.
As ruas das Caxinas cheias de gente a chorar,
mas também de orgulho que ninguém vai apagar.
Todos os caxineiros levavam o caixão,
não era ódio, era paixão.
Era futebol misturado com a vida,
era a alma ferida, mas nunca vencida.
Refrão:
Meu rico irmão, estás muito bem na segunda divisão,
o padre chorava enquanto fazia a oração.
Partia-nos o coração naquele chão molhado,
ver o nosso irmão ali, derrotado.
Lá em baixo dizem que não há salvação,
mas quem é do mar nunca perde a direção.
O sino tocava lento, a voz tremia no ar,
cada lágrima era promessa de voltar.
Não se enterra um clube, não se enterra um amor,
isso aprende-se cedo, aprende-se na dor.
Varzim é luta, é cais, é vento forte,
é cair cem vezes e desafiar a sorte.
Rio Ave é rival, mas também é história,
o derby escreve-se com sangue, suor e memória.
Vi homens feitos chorarem como meninos,
porque ali não havia inimigos.
Só camisolas diferentes, o mesmo sofrimento,
o mesmo norte, o mesmo sentimento.
Refrão (final):
Meu rico irmão, o tempo há de dar razão,
o futebol muda, mas não muda o coração.
Das Caxinas ao estádio, da fé à perdição,
lá em baixo dizem que não há salvação…
mas quem nasce do mar
sempre sabe voltar.rio rio rio Ave