A Luz no Frio
Deus meu Pai, ainda me lembro
Do dia em que o frio chegou
O homem do poder vestiu roupa quente
Como quem já sabia o que preparou
Eu olhei para mim, Pai
Não tinha casaco igual ao dele
Nem botas grossas, nem proteção
Só o vento batendo na pele
E as palavras dele foram duras:
“Tu vens comigo pro frio.”
Não foi convite, foi ordem
Com voz seca, sem brilho
Foram horas, meu Deus…
Horas longas no vento gelado
O frio tentando entrar nos ossos
O orgulho dele ao meu lado
Mas eu levei a tua luz no coração
Levei o céu no pensamento
E quanto mais o vento soprava
Mais eu sentia teu aquecimento
O céu me deu calor invisível
Um fogo que ninguém vê
Enquanto o frio entrava nele
Tua luz crescia em mim, Pai, por fé
Ele queria castigar
Mas não viu o que estava a fazer
Quem tenta ferir com maldade
Sem notar começa a cair também
A luz dentro de mim respondeu:
“Vê, filho… não revida, permanece.”
Quem quer castigar sem justiça
Cai no próprio gelo que oferece.
E ali, no meio do frio
Eu não estava sozinho
O céu estava comigo
Guardando meu caminho
Obrigado, Deus meu Pai
Pela luz que não se apaga
Pelo calor que vem do alto
Quando o mundo nos maltrata
Não foi o casaco que me salvou
Nem a roupa que me aqueceu
Foi tua presença viva
Foi o céu que me envolveu.