PERIGOSO BANDIDO
Lá vem…
o executor…
voando baixo na escuridão…
arma na mão…
um riso torto, sem direção…
E eu…
sem saber nem o motivo…
se me defendo, eu viro alvo…
me fazem então…
um “perigoso bandido”…
Perigoso bandido…
é o nome que vão me dar…
se eu tentar me salvar…
se eu gritar… se eu lutar…
Perigoso bandido…
é fácil de rotular…
mas difícil é enxergar…
quem mandou me apagar…
Se eu reagisse ao contrário…
ia sair nos jornais…
“Perigoso bandido
morto encontrado,
por tiros varado
nos fundos dos matagais…”
Amor… eu não reagi…
nos braços frios da lei…
eu me escondi…
implorei… prometi… consenti…
pra guardar o que restou de mim…
Mas se fosse diferente…
mudava só o final…
“Perigoso bandido
foi apagado
por bala no corpo
num canto de manguezal…”
Perigoso bandido…
nome pronto pra condenar…
antes mesmo de escutar…
antes mesmo de julgar…
E lá vou eu…
sem defesa, sem voz, sem saída…
entre a morte e a manchete escolhida…
sobreviver…
já me faz suspeito na vida…