[Verso 1]
Era eu
Tu e o radinho de pilha
Chiado baixo
Coração ligado
Notícia
Moda
Novela antiga
E o céu inteiro embaçado
Cheiro de terra molhada na sala
Café passado
Fogão queimando
Tua chinela batendo na casa
E meu futuro ali
Se formando
[Refrão]
Bota o radinho de pilha pra tocar de novo
Que essa saudade aperta o peito do meu povo
Cheiro de terra levantando lá no terreiro
Eu me arrepio só de lembrar daquele tempo inteiro
Bota o radinho de pilha pra tocar de novo
Naquela mesma estação que embalou meu choro
Se eu fechar os olhos
Juro
Eu quase vejo
Nosso sertão guardado dentro desse desejo (ô saudade)
[Verso 2]
Domingão cedo
Camisa surrada
Bola de gude
Pião rodando
Tua zoeira na calçada
E a mesma música tocando
Tua voz cantando fora de tom (tão linda)
Minha vergonha fingindo coragem
Hoje a cidade grita meu nome
Mas é teu quintal que me mata a vontade
[Refrão]
Bota o radinho de pilha pra tocar de novo
Que essa saudade aperta o peito do meu povo
Cheiro de terra levantando lá no terreiro
Eu me arrepio só de lembrar daquele tempo inteiro
Bota o radinho de pilha pra tocar de novo
Naquela mesma estação que embalou meu choro
Se eu fechar os olhos
Juro
Eu quase vejo
Nosso sertão guardado dentro desse desejo (ô meu sertão)
[Ponte]
Tanta luz
Tanta tela na cara
Mas nada cala esse chamado
Era tão pouco
E era tudo
Naquele mundo empoeirado
[Refrão]
Bota o radinho de pilha pra tocar de novo
Que essa saudade aperta o peito do meu povo
Cheiro de terra levantando lá no terreiro
Eu me arrepio só de lembrar daquele tempo inteiro
Bota o radinho de pilha pra tocar de novo
Naquela mesma estação que embalou meu choro
Se eu fechar os olhos
Juro
Eu quase vejo
Tu me abraçando forte dentro desse desejo (ô saudade)