[Intro]
Foda-se…
Mais um dia nisto, mano.
Brita nos olhos, cal nos pulmões…
Mas quê? Vida é esta.
Tamos na puta da obra.
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[Refrão]
Tamos na obra, martelo a bater
Foda-se o chefe, é só p’ra nos foder
Cimento nos dentes, sem tempo a comer
A vida dá murros, nós vamos responder
Sol na cabeça, calos na mão
O país que se foda, ninguém dá-nos pão
Trinta paus por dia? Isso é escravidão
Mas seguimos duros, sem pedir perdão
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[Verso 1]
Levanto-me roto, com olheiras na cara
Mais um dia a levar com merda na cara
Chego à obra e é só gritos e carga
Mas ninguém me quebra, tenho alma rara
Fumo no canto só pra desligar
A cabeça tá longe, mas tenho que empurrar
Coração de ferro, vou continuar
Mesmo quando o corpo já quer bazar
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[Verso 2]
Prometem tudo, depois cospem na cara
Falam de mérito, mas metem-nos na vara
Trabalho no osso, suor que não para
E no fim do mês só sobra a migalha
Chegam de fato a dar lição
Nunca pegaram numa pá, nem sabem o chão
Nós é que somos base desta nação
Mas tratam-nos sempre como a ralé do cão
Tou a cagar se alguém me respeita
Respeito sou eu que trago na carteira
Sou trolha com garra, sem play na receita
E cada tijolo é mais uma letra
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[Refrão]
Tamos na obra, martelo a bater
Foda-se o chefe, é só p’ra nos foder
Cimento nos dentes, sem tempo a comer
A vida dá murros, nós vamos responder
Sol na cabeça, calos na mão
O país que se foda, ninguém dá-nos pão
Trinta paus por dia? Isso é escravidão
Mas seguimos duros, sem pedir perdão
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[Verso Final]
Caguei no diploma, caguei no patrão
Caguei nessa merda de opinião
Tou na lama, mas levo visão
Cada parede é revolução
E se um dia cair, vou cair de pé
Com cimento nas veias e sangue na ré
Tamos na obra, e se ninguém nos vê
Foda-se tudo, eu rimo até morrer
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[Fade-out]
…e amanhã é igual.
Cala-te e mete massa.
Tamos na puta da obra.
Agora vou mandar uma cagada.
Fim.