Tios de Sangue
Cresci a chamá-los, com esperança no olhar,
Acreditando que a família sempre iria amparar.
Mas, quando a luta apertou e o caminho escureceu,
Muitas vezes, quem estendeu a mão não foi quem prometeu.
Não peço riqueza, nem luxo para viver,
Apenas uma oportunidade para crescer.
Quem pode erguer um irmão e escolhe não o fazer,
Um dia compreenderá o valor de estender a mão.
Tios de sangue, por que virar as costas assim?
Se havia uma porta que poderiam abrir para mim.
Não busco esmola, apenas uma oportunidade,
Pois quem apoia constrói um futuro de verdade.
O dinheiro passa, mas o afeto permanece na memória,
Quem ampara um sobrinho também escreve a própria história.
Vejo portas abertas para quem já tem influência,
Enquanto tantos sobrinhos vivem em permanente sobrevivência.
Ainda assim, sigo firme, sem perder a fé,
Porque Deus conhece cada passo do meu caminhar.
Prometeram caminhos, palavras lançadas ao vento,
Mas, na hora da verdade, faltou compromisso e fundamento.
Restaram apenas promessas, jamais concretizadas,
E aprendi que nem toda fala vem para construir.
Também vejo tias apontando o dedo sem cessar,
Julgam os filhos alheios sem sequer olhar para o lar.
Esquecem dos próprios, que também pedem atenção,
Falam de correção, mas não oferecem exemplo ao coração.
Também carrego a saudade do meu irmão Áureo,
Que perdeu a vida ao trocar a lâmpada de sua casa, tão cedo.
Foi num gesto simples, num instante cruel e fatal,
Mas sua memória permanece viva, forte e imortal.
Não guardo ódio, nem desejo o mal,
Apenas queria ver a família unida de forma igual.
Quando um vence, todos deveriam sorrir,
Pois a conquista de um também faz a família evoluir.
Tios de sangue, ainda há tempo para mudar,
Uma mão estendida pode transformar uma vida.
Hoje sigo lutando com coragem e valor,
Porque a minha esperança é maior que qualquer dor.