(Intro)
É fácil falar de fora... "tem que acabar com tudo".
Eu concordo. Tem que acabar.
Mas quem tá aqui dentro sabe que a linha é tênue.
Entre o alvo e o escudo humano... tem a nossa vida.
(Verso 1)
Eu não aguento mais ver meu povo refém do medo
Do bandido que impõe a lei do silêncio, do dedo no gatilho cedo
Que alicia o moleque que devia tá na escola
E transforma a comunidade numa bomba que a qualquer hora estoura
Sim, eu quero o fim do tráfico, quero o fim dessa opressão
Não quero ver vizinho meu perdendo a vida por causa de facção
Não sou conivente, eu sou sobrevivente dessa guerra insana
Onde quem lucra de verdade não mora na minha choupana
Eu quero a polícia aqui, mas quero ela com inteligência
Não entrando chutando porta, sem pedir licença
Confundindo trabalhador com vagabundo na correria
Porque na hora do "vamo ver", a bala não tem sabedoria.
(Refrão)
Limpa a área, mas cuidado onde mira
Tem gente de bem na linha de tiro, não é mentira
Acaba com o crime, mas preserva a vida
De quem levanta cedo e tem a alma ferida
Nós tamo no meio do fogo cruzado, sem colete
Pedindo paz, mas vivendo no lembrete
De que a qualquer momento tudo pode acabar
Por uma bala que não tinha nome pra matar.
(Verso 2)
Eu vejo a operação subir, o caveirão apontar
E meu coração gela, começo a rezar
Não pelo bandido, que escolheu essa vida errada
Mas pela dona Maria, que tá estendendo a roupa na sacada
Pelo motoboy que tá descendo pra fazer a entrega
E pode virar estatística se o piloto não enxerga
Que nem todo mundo que corre é porque deve
Às vezes corre de medo, corre porque a vida é breve
Tem que prender? Tem. Tem que acabar? Tem.
Mas não a custo de sangue inocente, amém?
Usa a estratégia, usa a tecnologia, não só a força bruta
Porque cada inocente que cai, a revolta só aumenta na luta
E o crime usa essa dor pra recrutar mais um soldado
É um ciclo vicioso, um futuro condenado.
(Ponte)
Eu sou contra o tráfico que envenena a minha quebrada
Mas também sou contra a ação desastrada
Que entra pra resolver e deixa um rastro de dor
A gente quer justiça, a gente quer valor.
Separa o joio do trigo, por favor.
(Refrão)
Limpa a área, mas cuidado onde mira
Tem gente de bem na linha de tiro, não é mentira
Acaba com o crime, mas preserva a vida
De quem levanta cedo e tem a alma ferida
Nós tamo no meio do fogo cruzado, sem colete
Pedindo paz, mas vivendo no lembrete
De que a qualquer momento tudo pode acabar
Por uma bala que não tinha nome pra matar.
(Outro)
Paz pro morador.
Justiça pro criminoso.
E sabedoria pra quem tem o poder na mão.
É só o que a gente pede.
(Som abafado de batimentos cardíacos diminuindo)