🎵 A Lista Que Não Era Minha
Pai, a lista estava na mesa
Caneta na mão de quem manda
Nome de familiar sem escrever
E o céu a ver, em silêncio, a trapaça
Vi risos soltos no fumo do ar
Vi privilégios sem vergonha
Uns fumavam sem nome, sem regra
Outros pagavam com a própria honra
Quando fui eu, veio o grito
Como se eu fosse o erro do dia
“Aponta já o teu nome!”
Disse ele, com raiva fria
Olhei a lista, olhei o chão
Depois levantei o coração
“Meu nome é Teu, Pai
Não cabe nessa lista, não”
A lista não era justiça
Era medo escrito à pressa
Quem mandava usava o poder
Como quem fecha portas à mesa
Chamou o colega, fez-se vítima
Disse que eu não tinha respeito
Mas Pai, Tu sabes bem
Respeito nasce no gesto
Quem escreve nomes para humilhar
Já apagou o próprio valor
Pode ter lista, pode ter voz
Mas não tem a verdade nem o amor
A lista ficou ali, suja de mentira
Eu fui embora limpo por dentro
Meu nome não ficou no papel
Ficou guardado no Teu tempo