(Quando Só Minha Mãe Me Via)
(Umbanda • Afro • Ponto Moderno • Profunda • Cura da Criança Interior)
[Abertura]
No silêncio da noite eu ouvi o tambor...
Não era chamado de guerra.
Era chamado de amor.
[Verso 1]
Nasci carregando um fogo sem nome,
Uma tempestade dentro do olhar.
O mundo me via como perigo,
Mas eu só queria brincar.
Me chamavam de sombra perdida,
Filho da dor e da destruição.
Mas ninguém escutava o choro
Escondido no meu coração.
Cada porta fechada doía,
Cada medo lançado em mim.
E quanto mais eu buscava abrigo,
Mais me afastavam de si.
[Pré-Refrão]
Mas havia um colo esperando,
Mesmo quando eu não conseguia enxergar.
Uma voz atravessando a tormenta,
Me ensinando a não me abandonar.
[Refrão]
Quando só minha mãe me via,
Quando ninguém mais acreditava.
Seu amor era minha morada,
Quando a alma desmoronava.
Quando só minha mãe me via,
Eu encontrava direção.
Pois quem recebe amor verdadeiro
Aprende a curar o próprio coração.
[Verso 2]
Carreguei culpa por muito tempo,
Como corrente presa aos pés.
Achando que minha existência
Era a causa de tudo que não deu fé.
Vi lágrimas nos olhos dela,
E aquilo me atravessou.
Mais fundo que qualquer batalha,
Mais forte que qualquer dor.
Então eu perguntei aos ancestrais:
"Existe cura para alguém assim?"
E o vento respondeu baixinho:
"Você nunca esteve contra si."
[Ponte]
A sombra não veio para matar.
A sombra veio para ensinar.
O fogo não veio para destruir.
O fogo veio para construir.
A dor não veio para punir.
A dor veio para abrir.
E o amor...
O amor veio para lembrar
Quem você sempre foi.
[Refrão Grande]
Quando só minha mãe me via,
Quando o mundo dizia não.
Seu abraço era um terreiro
Acolhendo meu coração.
Quando só minha mãe me via,
Eu descobria quem eu sou.
Nem monstro, nem maldição,
Mas uma alma que o amor despertou.
[Ponto Final]
Saravá as mães que não desistem.
Saravá os filhos que aprenderam a cair e levantar.
Porque existe uma força maior que o medo.
Maior que a culpa.
Maior que qualquer destino.
É o amor que permanece.
[Encerramento]
No toque do atabaque eu compreendi:
Nem toda tempestade vem para destruir.
Algumas vêm para revelar...
A luz que estava escondida dentro de nós.