Ele nasceu num lar simples, chão batido no quintal
Bolso quase vazio, mas amor nunca faltou afinal
Aprendeu desde cedo o valor de um aperto de mão
Respeito, palavra e fé moravam no seu coração
Corria de bicicleta pelas ruas da cidade
Bola no pé, riso solto, amizade de verdade
Entre escola, trabalho e o banco lá da igreja
Sonhava com um futuro que a vida ainda planeja
Às vezes amava escondido, outras vezes dava errado
Mas ainda acreditava no que Deus tinha guardado
Ele era rico por dentro, mesmo sem ter um tostão
Tinha luz no pensamento e paz no coração
Mas a vida vira o jogo sem pedir explicação
E uma lágrima pode ser o começo da escuridão
Foi quando uma menina bagunçou seu sentimento
Prometeu amor eterno, mas levou seu juramento
O mundo perdeu a cor, o céu ficou sem estrelas
E a dor que era pequena virou prisão nas veias
Saiu da estrada certa, se perdeu na própria dor
Foi calando a própria alma, foi fugindo do amor
Descalço sobre espinhos caminhou sem direção
Quatro anos afundado, longe de si, da razão
Viu portas se fechando, viu olhares de condenação
O mundo vira as costas pra quem cai na escuridão
Ele era rico por dentro, mas se esqueceu quem era
Tentou calar o vazio se perdendo na miséria
Mas no fundo ainda ardia uma chama que não morreu
Era a voz da verdade chamando o filho seu
Ponte
No silêncio de uma noite, cansado de tanto cair
Ele olhou pro céu chorando: “Deus, será que ainda há caminho pra mim?”
E na fraqueza encontrou uma força que não entendia
Era a verdade batendo onde a dor ainda doía
Conheceu a verdade e a verdade o libertou
Curou feridas da alma, restaurou o que quebrou
Hoje anda de cabeça erguida, firme na direção
Quem já pisou nos espinhos valoriza o chão
Ele é rico por dentro, isso o mundo não tirou
Caiu, mas levantou mais forte do que jamais sonhou
Se a noite foi longa, o amanhecer chegou
A graça escreveu de novo a história que quase acabou