DANÇAR PELA JUSTIÇA
Danço pela justiça,
mesmo quando o chão treme.
Danço porque o silêncio pesa
e o coração não se vende.
Danço com os pés feridos,
mas a alma de pé.
Porque quem anda com Deus
não dança por fé cega — dança por fé viva.
Quando o poder fecha portas,
eu giro sem pedir perdão.
A justiça não mora nos palcos,
mora no gesto, na mão.
Danço pelo pão partilhado,
pela lágrima que caiu.
Cada passo é um grito manso
por quem nunca foi ouvido.
Se o mundo empurra pra baixo,
eu danço pra não cair.
Transformo dor em movimento,
medo em forma de existir.
Danço pela criança esquecida,
pelo velho sem lugar.
Danço porque a justiça de Deus
não espera — começa a andar.
Não é festa vazia,
nem fuga da realidade.
É o corpo a dizer ao mundo:
a justiça também é dignidade.
E quando o cansaço chega,
danço mais devagar…
Porque até o passo pequeno
já é justiça a passar.