[Intro]
Yo...
É o Luis mano…
O gajo do hoodie azul,
Da cruz ao peito,
Da garrafa na mão,
E a alma sem jeito…
A lenda do quintal.
---
[Verso 1]
Camisola azul com escudo à frente,
Ele veste orgulho, mesmo quando é crente.
Cruz no pescoço, chaves penduradas,
Fechado por fora, aberto nas gargalhadas.
Balde na mão, tipo medalha de guerra,
Ténis rotos, mas pisa firme a terra.
Do mato ao alcatrão, conhece o chão,
Luis não é lenda, é lição!
Boné de balde, ninguém entende,
Mas quem critica, não compreende.
Porque Luis vive como quer viver,
Mesmo sem pota, nunca vai ceder.
---
[Refrão – 2x]
Abe a pota ou pato o vido!
O quintal conhece o rugido.
Ele grita com garra e vinho,
Mas dorme com a lua de ninho.
Abe a pota ou pato o vido!
Luis nunca foi esquecido.
Hoje a porta abriu devagar,
E o rei do mato vai descansar.
---
[Verso 2]
Tantas noites no frio a rezar,
A cruz balançava sem nunca quebrar.
Enquanto o mundo lhe virava costas,
Ele plantava sonhos nas encostas.
Amigos diziam: “grita mais alto bro”,
Mas a pota só abria no flow.
E com voz de trovão e riso partido:
“Abe a pota ou pato o vido!”
Era o código, a senha, o sinal,
Luis, o guardião do arraial.
Fumava conselhos e bebia lições,
Mas dormia com firmeza, sem ilusões.
---
[Refrão]
Abe a pota ou pato o vido!
O quintal conhece o rugido.
Ele grita com garra e vinho,
Mas dorme com a lua de ninho.
Abe a pota ou pato o vido!
Luis nunca foi esquecido.
Hoje a porta abriu devagar,
E o rei do mato vai descansar.
---
[Verso 3]
Agora ninguém ri, todos batem no peito,
Luis entrou na casa com o mesmo jeito.
Sofá de rei, TV ligada,
Copo na mão, alma curada.
Já não precisa gritar à janela,
A pota tá aberta, sem sentinela.
Tatuou a frase na própria vida,
Luis do Arraial, cicatriz que brilha.
Do hoodie azul à cruz no fio,
Do chão molhado ao próprio pavio.
Luis provou que mesmo no mato,
Há reis que vencem sem contrato.
---
[Final]
A pota abriu…
E o Luis não mudou.
Só deixou de dormir no chão.
E agora é ele que diz:
“Abe a pota… ou ficas no portão.”
Arraial tá em boas mãos.