Meu chefe, hoje vais-te portar direito,
eu sei bem, o Benfica mexe com teu peito.
O jogo começa, o apito vai soar,
e a cerveja, rápido, rápido, começa a entrar.
Uma atrás da outra, sem tempo pra pensar,
na tua cabeça só a bola a rolar.
Dizes que hoje sim, que vais ter juízo,
mas eu já conheço esse teu improviso.
Se o Benfica ganha, a festa não tem fim,
a cerveja manda, manda forte em ti.
Minha prima já disse: “vou acompanhar”,
porque em dia de vitória ninguém quer parar.
Risos altos, copos no ar,
promessas feitas sem pensar.
Cantas o hino, bates na mesa,
dizes que esta equipa é uma beleza.
Mas se o Benfica perde, aí meu irmão,
começa o filme da reclamação.
“Fomos roubados!”, gritas outra vez,
como se o árbitro jogasse pelos três.
Não vês que a equipa não soube jogar,
erros atrás de erros, a bola a escapar.
Mas na tua cabeça só há uma razão:
“Foi o árbitro, foi tudo contra o campeão!”
A cerveja esquenta, a voz sobe mais,
as palavras saem duras, agressivas demais.
Tenho que te aguentar, ouvir sem falar,
porque discutir contigo não vai adiantar.
Já chega por hoje, é melhor parar,
rápido, rápido, levanta-te, vamos andar.
Deixa o carro aqui, não te faças de herói,
amanhã vens buscá-lo, hoje ninguém é cowboy.
Caminha devagar, respira o ar,
o futebol é vida, mas não é para matar.
Ganha-se, perde-se, faz parte do jogo,
nem sempre o Benfica apaga o fogo.
No fim da noite fica a lição:
menos cerveja, mais coração.
Porque o futebol passa, o amor fica aí,
e amanhã há trabalho… pensa um pouco em ti.