Em Portugal dizem: “vai-te linchar”
No Brasil dizem: “te pegar lá fora”
Palavras mudam de roupa
Mas a intenção é a mesma agora
Dizem “sapa” de um lado do mar
Do outro dizem “cara, para com isso”
O nome muda, a dor não
O ataque é sempre o mesmo vício
Pré-Refrão
Chamam de “bagabunda”
Chamam de “louca” também
Não querem saber quem tu és
Só querem ferir alguém
Refrão
É a mesma ofensa com outra voz
É o mesmo ódio, só muda o som
Portugal ou Brasil
Errado continua sendo igual
Palavra não puxa faca
Mas ensina a mão a bater
Quem normaliza o insulto
Ajuda a violência crescer
Verso 2
Dizem “é só falar”
Mas falar também mata por dentro
O respeito não tem sotaque
Nem fronteira no pensamento
Quem cospe ódio disfarçado
Diz que é piada, diz que é normal
Mas humilhação não é cultura
É atraso social
Pré-Refrão
Não é jeito de falar
Não é forma regional
É falta de humanidade
Travestida de opinião banal
Refrão
É a mesma ofensa com outra voz
É o mesmo ódio, só muda o som
Portugal ou Brasil
Errado continua sendo igual
Quem chama, ameaça, diminui
Depois finge não entender
Que o mundo não melhora
Enquanto alguém quiser ferir pra se defender
Ponte (falada/cantada)
Não é liberdade de expressão
Quando o alvo é humilhar
Não é coragem
Quando se junta pra linchar
Último Refrão (mais calmo)
É a mesma dor, o mesmo grito
Em qualquer lugar do chão
Respeito não tem país
Tem coração
Ummm… ummm…
A palavra muda…
A violência não.