Caminhos de Tiagho
Olha pra mim quando eu falo,
porque isso aqui não é só poesia,
é memória viva, é luta, é sangue,
é a negritude gritando em voz forte.
Tiagho Freitas.
Nome que carrega estrada longa,
quilômetros de poeira e ônibus lotado,
madrugadas frias, corpo cansado.
Mas ele não parou.
Lá no bairro distante,
onde muitos dizem “não dá”,
ele respondeu com passos firmes:
“Eu vou, sim. E vou chegar lá.”
Universidade pública,
portas pesadas que tentaram fechar.
Mas Tiagho empurrou com as próprias mãos,
e o som do esforço ecoou:
— História também é minha, e eu vou contar.
Ele se formou.
Não porque o caminho foi fácil,
mas porque sua pele, sua história,
carregam séculos de resistência.
Ele ensina mais que datas,
ensina que negritude é raiz e futuro,
que a estrada pode ser longa,
mas cada passo é um grito de vitória.
Quando Tiagho entra em sala,
não é só um professor chegando.
É um homem negro,
que atravessou distâncias e barreiras,
prova viva de que conhecimento
é também ato de coragem.
Então escuta:
a História que ele conta não tá só nos livros,
tá no ônibus das cinco da manhã,
na mão calejada que segura o caderno,
no olhar que diz “eu consegui”.
Tiagho Freitas é ponte,
é tambor que ressoa no tempo,
é exemplo que diz pra gente:
“Mesmo longe, mesmo cansado,
mesmo quando o mundo diz não,
a gente insiste,
e transforma distância em revolução.”