[Verso 1]
Carrego nas mãos um silêncio antigo
Que escuta mais do que devia ouvir
Um dom atravessando meu peito cansado
Sem nunca perguntar se eu queria sentir
Viro ponte pra dores sem nome
Abrigo pra quem perdeu direção
Remendo almas na madrugada
Enquanto escondo as rachaduras do coração
[Pré-Refrão]
Eles chegam tempestade
Olhos pedindo paz
E eu me entrego inteira
Mesmo sabendo o que isso faz
[Refrão]
Porque eu curo…
Mas ninguém vê o quanto isso dói em mim
Sou caminho pra quem parte
Mas ninguém pergunta se eu sobrevivi
E quando vão…
Levam pedaços meus sem perceber
Pontes nunca foram feitas pra ficar
Mas sentem cada passo ao atravesser
[Verso 2]
Tem gente que floresce no meu abraço
Respira fundo e volta a sorrir
Como se eu fosse só intervalo
Entre a queda e o recomeço de existir
E eu fico…
Com ecos pelos corredores
Com perguntas baixas na alma
Tentando entender minhas dores
“Será que eu dei demais?”
“Será que falhei também?”
Quem cuida do peito de quem cura
Quando não sobra ninguém?
[Pré-Refrão]
Às vezes quero fechar as portas
Não sentir mais ninguém entrar
Mas o dom me chama pelo nome
E eu nunca consigo recusar
[Refrão]
Porque eu curo…
Mas ninguém vê o quanto isso dói em mim
Sou passagem pra quem se encontra
Mesmo quando eu me perco no fim
E quando vão…
Fica o silêncio ocupando o lugar
Pontes nunca foram feitas pra ficar
Mas ainda aprendem a amar
[Ponte]
Há almas que ficam
E me ensinam permanência
Como luz acesa depois da tempestade
Como cura também pra minha existência
Mas outras vêm só de passagem
Como vento impossível de prender
Talvez esse seja o preço do dom
Amar mesmo sabendo perder
[Último Refrão]
Porque eu sinto…
Tudo fundo demais dentro de mim
Antes do dom, antes da missão
Existe alguém tentando existir
E eu sigo…
Entre cicatrizes e gratidão
Sendo ponte pra tantas vidas
Mesmo carregando o peso da travessia no coração
[Final]
Sou caminho… não destino
Sou passagem… não morada
Mas ainda sinto cada alma
Como se também fosse minha casa.