Estava eu
De malas e cuia na mão
Mais um Severino
A fugir da seca do sertão
A fome morde a barriga
Dói no peito igual mordida de cão
Foi quando uma nuvem negra
Encobriu o astro rei
Tão forte foi o azougue do trovão
Que eu até me assustei
Raios desciam do céu
E rasgavam o chão
Ô chuva vem pra molhar o meu sertão
Pedro manda chuva
Pedro manda chover
Pedro manda chuva
E faz o campo da esperança florescer
E a tristeza
Num pau de arara foi simbora
A fome fez suas malas
E anda pedindo esmola
É que a fé e a paciência do matuto
Não se ensina na escola
Com igualdade de acesso
A colheita não demora
Pedro manda chuva
Pedro manda chover
Pedro manda chuva
E faz o campo da esperança florescer