É, é, é, é, é, é…
Meu cheff não confia em ninguém,
Só confia no cunhado,
Que manda sem trabalhar,
Sabe bem como engraxar,
Sorrir falso, dedo levantado.
Não precisa saber falar direito,
Não precisa saber escrever,
Basta acusar o colega ao lado,
Chamar de criminoso pra se proteger.
Já sabem tudo o que fazer,
Já têm o plano preparado,
Quem pergunta demais sofre,
Quem cala fica empregado.
A escravidão começa na família,
Na mesa, no nome, no poder,
Quem não é do sangue apanha,
Quem trabalha não vai crescer.
Racismo sentado na cadeira,
Gravata limpa, mãos sujas de suor,
Exploram o corpo do pobre
E ainda dizem que é favor.
É, é, é…
Trabalha cedo, sai de noite,
Coluna torta, alma cansada,
Prometem aumento amanhã,
Mas hoje só tem pancada.
Gritam ordens como chicote,
Humilham na frente de toda a gente,
Quem baixa a cabeça sobrevive,
Quem levanta vira inimigo permanente.
Chamam disciplina à crueldade,
Chamam ordem à opressão,
Mas a verdade anda calada
A ferver dentro do coração.
No lixo vai o respeito,
No lixo vai a dignidade,
Motores, vidas, sonhos
Quebrados pela autoridade.
Setenta foram pro lixo,
Como se não valessem nada,
Mas cada peça ali tinha
Horas de suor e madrugada.
É, é, é, é…
Racismo manda calar,
Escravidão manda obedecer,
Mas a história já mostrou
Que isso não dura pra sempre, não, meu irmão, podes crer.
A família senta no topo,
Divide cargos, divide pão,
O resto que lute em baixo
Com medo, fome e pressão.
É sistema velho, podre,
Disfarçado de empresa moderna,
Mas o cheiro da injustiça
Não se esconde na gaveta.
Um dia a voz sai do peito,
Não dá mais pra segurar,
Quem foi tratado como lixo
Aprende a não se calar.
Não pedimos luxo nem trono,
Só respeito, só igualdade,
Porque trabalho não é escravidão
E chefe não é divindade.
É, é, é, é, é…
Se hoje eles mandam e riem,
Amanhã a verdade vem,
Porque quem constrói tudo com ódio
Nunca dorme em paz também.