[Verse 1]
Quando me olho no espelho me vejo de costas
Quando caminho no campo não acredito em rosas
Se ver assim no espelho às vezes incomoda
Rosas sempre nos machucam com espinhos, quando toca
Estou preste a um novo colapso, o que faço
Posso ficar louco, esse é meu esforço,
Não sou de aço, nem me incomodo com a dor no braço
Isso aqui em meus olhos não é lágrimas de um palhaço
Esses pés sujos aqui não significam que eu desisti, (fraco)
Essas mãos machucadas não quer dizer que sofri, (não)
Esse coração acelerado significa que estou vivo e não apaixonado
Esse suor todo não é cansaço e nem mesmo fracasso
O garoto aqui já se tornou homem desde dos cinco
Quando viu sua mãe apanhar de cinto
E seu pai morrer depois de tanto beber "vinho"
Depois que viu sua irmã ser agredida por um menino
Só porque ela aguentava cada dor calada
Mesmo quando jogavam vitamina de abacate na cara
E na escola a mochila era de sacola plástica
Que um caderno era utensílio de luxo na escola cercada
[CHORUS]
Em cima de cada rima, você ensina
Fala de sina, detona o clima
Lima é no Peru e Pequim na China
Levante as mãos pra cima e acredita
[Verse 2]
Vão dizer que sou um preto pobre esnobado pela a sociedade
Mas vou dizer que sou preto de sorte que pode fica no sol da tarde
Sem me preocupar com a minha cor
Sem me preocupar com a minha dor
Vão dizer que me faço de coitado por causa da minha cor
Mas vou dizer que minha cor não tem culpa do seu rancor
Por eu ter sido limitado por uma cota, pobre é limitado pela história
Rico aumenta os lucros e pobre só leva tiro nas costas
Por muitos anos vivi numa casa simples e as ruas eram de terra
Não pegava Manchete e eu não assisti os Zodíacos da era grega
Nunca foi motivo pra deixar de sonhar
A minha Aparecida me acolheu e me deu um lar
Me deu irmãos que não eram de sangue
Que passamos todas as coisas, éramos como gangue
Sem armas, apenas com a bola debaixo dos pés
Sapinho, Gambá, Tiziu, Lobó, Baiano e o Geve num é
Fofão e Delmi veio pra completar a tropa dos moleque de fé
Além da Pati e Tati, essa é a X35, qual é
Olá, aqui é o George que não foge da luta
Filho formado criado na rua
Que encarou sol e chuva
E que teve que engolir a verdade nua e crua
[CHORUS]
Em cima de cada rima, você ensina
Fala de sina, detona o clima
Lima é no Peru e Pequim na China
Levante as mãos pra cima e acredita
[BRIDGE]
Não tenho mais sido daquele jeito
Que chorava só por não ter respeito
Que uma garota na escola me chamou de feio
Continuo feio, mas vivo no que eu creio
Desistir de sonhos que tinha como certo
Uma paixão que deixei ir por medo
Mas amor não acaba quando você sai do devaneio
Um amor verdadeiro me deu meu filho
Minhas letras são as armas e minha voz o gatilho
George 3 ponto 0 tá chegando ai
Ele começou a subir e não tem medo de cair
[CHORUS]
Em cima de cada rima, você ensina
Fala de sina, detona o clima
Lima é no Peru e Pequim na China
Levante as mãos pra cima e acredita
[GUITAR SOLO]
[END]