Se você ainda me vê
Mesmo quando eu não me reconheço
Fica…
Por favor, fica.
Eu tenho rezado pra paredes vazias
E elas sabem mais de mim do que as pessoas
Cada noite é um tribunal
Onde eu sou juiz, réu e condenado
Eu tentei ser forte como mandaram
Engoli o choro, dobrei a espinha
Mas o peso cresce em silêncio
E eu estou cansado de fingir que aguento
Se existe algo além desse escuro
Me responde agora
Porque eu estou no limite
E não sei quanto de mim ainda sobra
NÃO ME DEIXA AFUNDAR
EU NÃO SEI NADAR SOZINHO
SEGURA MINHA MÃO
ANTES QUE EU ME TORNE MAIS UM NOME NO ESQUECIMENTO
EU NÃO PEÇO PRA SUMIR A DOR
SÓ PRA NÃO ENFRENTAR ELA SÓ
SE VOCÊ AINDA ME OUVE
NÃO SOLTA A MINHA VOZ
Eu vi meus sonhos virarem cinzas
Um por um, sem cerimônia
Prometeram que o tempo cura
Mas ele só me ensinou a sangrar em silêncio
Tudo que eu sou agora
É um pedido mal formulado
Um erro tentando continuar
Respirando por puro instinto
Eu não quero morrer
Mas também não sei viver assim
Se isso é fraqueza
Então eu confesso
Se isso é orgulho
Então eu abandono
Só…
Não me deixa cair agora.
NÃO ME DEIXA AFUNDAR
EU JÁ ESTOU NO FUNDO DO PEITO
GRITA MEU NOME
ANTES QUE EU ME ESQUEÇA DE QUEM EU SOU
SE ESSA É A ÚLTIMA ORAÇÃO
QUE MINHA VOZ CONSEGUE FAZER
ENTÃO ME ESCUTA
MESMO QUE SEJA TARDE DEMAIS
Se eu sobreviver a essa noite
Vai ser porque alguém ficou
Quando tudo em mim
Já tinha ido embora.