Eu escrevi teu nome em margens invisíveis
Pra ninguém ler o que eu não superei
Colecionei silêncios irreversíveis
Como provas de tudo que eu falhei
A cidade dorme, mas eu não descanso
Meus pensamentos fazem greve de paz
Viver virou um constante atraso
Entre o que eu fui e o que não sou mais
Se o tempo cura, por que ele demora?
Ou será que eu gosto de sangrar agora?
Eu me perdi tentando te salvar
Afundei sorrindo pra não te puxar
Se amar é isso que sobrou de nós
Então o amor fala baixo… mas dói feroz
Teu adeus não teve ponto final
Só reticências na minha respiração
Eu fiz de você meu ideal
E de mim mesmo, minha negação
As noites passam como julgamentos
E eu sempre perco no tribunal
Sou réu confesso dos meus sentimentos
Sentenciado a sentir demais
Se eu sou o erro, por que você ficou?
Se você ficou… por que me quebrou?
Eu me perdi tentando te salvar
Afundei sorrindo pra não te puxar
Se amar é isso que sobrou de nós
Então o amor fala baixo… mas dói feroz
Talvez em outra versão de mim
Eu saiba partir sem olhar pra trás
Mas nessa aqui, eu fico até o fim
Mesmo sabendo que não há mais paz
Eu me perdi tentando te salvar
Agora aprendo, tarde, a me deixar
Se amar é isso que sobrou de nós