Intro
(sussurro, muito próximo)
“Não toca ainda…”
“Aprende o peso do silêncio.”
Verso 1
Te desejo com fome ritual
Não marcada no corpo
Mas na aura
Insígnia invisível
Que só se revela
Quando o desejo decide governar
Ardo
Não como incêndio vulgar
Mas como biblioteca interditada
Onde cada página sua
Geme em silêncio antigo
À espera dos teus dedos
(sussurro)
“Devagar…”
“Ler também cansa os dedos.”
Pré-Refrão
Lentos
Conscientes
Sabendo que tocar
É um ato de poder
Refrão
Sou grimório vivo
Minha pele é pergaminho sensível
Meu cheiro, tinta quente
E nas margens do meu corpo
Tua leitura sempre cai
No vício
Sou grimório vivo
Não me leias com método
Lê-me com fome
Com erro
Com reincidência
(sussurro pós-refrão)
“Você sabe onde isso começa.”
“E finge não saber onde termina.”
Verso 2
Recordo teu toque
Como quem guarda um dogma herético
Uma vez aprendido
Nunca mais se abandona
Ele me desfaz
Me reduz à matéria-prima do desejo
Me coloca no cadinho
Até que eu pingue
Densa
Incandescente
Irreversível
Ponte
Entre nós não há pressa
Há fermentação
O tempo trabalha a nosso favor
Enquanto o corpo conspira
Paciente
Insubmisso
Pela repetição do milagre
(sussurro, espaçado)
“Não é pressa…”
“É maturação.”
“Deixa arder.”
Refrão Final
Queimo ainda
Porque sei
Quando teus dedos enfim me folhearem
Não buscarão respostas
Apenas o prazer exato
De reler
O que nunca foi esquecido
(sussurro)
“Não procura sentido…”
“Só repete.”
Outro
Grimório vivo
Aberto
No escuro
(último sussurro, quase inaudível)
“Relê…”