Não éramos perfeitos,
e nunca tentamos ser.
Carregávamos falhas no bolso
e sonhos grandes demais
pra caber no peito.
Entre as luzes acesas do teatro
e a escuridão quando as cortinas se fecham,
aquele sonho intenso
criou asas
e voou.
Eu vinha do palco,
do aplauso que some,
mas deixa coragem.
E, mais uma vez,
entre flashes, câmeras e histórias,
me apaixonei.
Mais uma vez.
Me chamava de morena
como quem chama de lar.
Nossa história nunca foi reta:
foram estradas, estados, distâncias,
idas e vindas que doíam,
mas nunca quebraram.
Não somos perfeitos.
São anos provando isso.
Um amor cheio de marcas,
mas inteiro.
E desde o começo havia alguém ali,
testemunha silenciosa,
que segurou a mão
quando o mundo puxava.
Ajudou a atravessar fronteiras,
salvou quando o fôlego faltou,
cuidou sem pedir nada em troca.
Ia pra balada
não pela música,
mas pra garantir
que a gente chegasse bem.
E eu achava lindo,
porque cuidado
também é amor.
Temos tantas histórias,
tantas histórias…
E a busca segue implacável
por fazer do próximo dia
algo ainda melhor.
Não éramos perfeitos.
Nunca fomos.
Mas talvez seja isso
que nos manteve aqui:
as imperfeições
e os amores não perfeitos.