[Intro]
Eduardo acorda cedo, diz que tá na correria
Mas depois do meio-dia
Só se vê a geladia, aham
[Verse 1]
Eduardo bebi cerveja o dia inteiro
Copo cheio, peito estufado, ar de fazendeiro
Fica gordo na cadeira dando ordem pro terreiro
Quem sua é o Marquinho, carregando o mundo inteiro
"Ô Marquinho, busca aquilo, limpa aqui, varre o chão"
Ele chama de favor, mas parece escravidão
Enquanto isso a latinha faz barulho na mão
E o relógio marcando a folga em tempo de verão
[Chorus]
Eduardo só trabalha de manhã
Depois é só espuma e garrafão (hey!)
Quem rala é o Marquinho no quintal
Tirando o peso desse patrão informal
Eduardo só trabalha de manhã
Diz que é por causa da produção
Que tem que tirar leite pra Milena
Fazer queijo e salvar tradição
[Verse 2]
Cinco e pouco ele levanta, diz que ama o sertão
Vai pro curral meio torto, ainda em recuperação
"Essa vaca é da Milena, cuida bem, meu irmão"
Que se o leite desandar, azeda toda a relação
Pra Milena fazer queijo, é um ritual sagrado
Ela manda na cozinha, ele posa de esforçado
Tira leite de manhã, de tarde já tá de lado
Marquinho é quem segura o tranco do legado
[Chorus]
[Bridge]
Marquinho pensa baixo: "Um dia eu viro patrão"
Chega com currículo, diploma na mão
Enquanto o Eduardo, cheio de opinião
Conta a mesma história, sentado no balcão
Milena só observa, rindo da situação
Entre o leite e a cerveja, quem vai mudar de estação?
[Chorus]