Ficaste a morar em mim
Mesmo sem chave, abriste tudo assim
E agora ando por aí, com pedaços teus
A falar contigo no que o silêncio me deu.
Olha,
Nem sei como dizer isto sem soar cliché
Mas tu… deixaste marcas onde mais ninguém as vê,
Há qualquer coisa no teu olhar,
Na forma como sorris com os olhos antes da boca,
Que ficou em mim
E por mais que eu tente seguir,
Tens uma chave que nenhuma outra tem.
Se eu dissesse que te desejo,
É verdade.
Mas o que eu não digo é o que me consome:
É que eu sinto a tua ausência
Nos espaços onde devia estar tranquilo.
No silêncio do fim do dia,
É contigo que falo sem dizer palavra.
Tu não foste só um corpo que passou,
Foste uma presença que ficou.
E se algum dia te perguntares
Se alguém ainda pensa em ti às 2 da manhã…
Sou eu.
Ficaste a morar em mim,
Mesmo sem chave, abriste tudo assim.
E agora ando por aí, com pedaços teus,
A falar contigo no que o silêncio me deu.
Ficaste a morar em mim,
Nos meus sonhos, no meu corpo, no meu fim.
E por mais que eu tente, não sei fugir,
Porque foste casa antes de partir.
Tinhas o mar nos olhos, e eu sede na boca,
Teu toque era crime — e eu queria essa culpa toda.
Cabelos ao vento, desejos por dentro,
Fiz-te minha musa num segundo de silêncio.
Dizias que tinhas medo de te perder em alguém,
E eu pensava: "Perde-te em mim, que eu perco-me também.
"As noites vinham lentas, mas o teu olhar acendia,
Fumavas o meu peito e sorrias com malícia.
Deste-me lume com os olhos, eu queimei-me na tua pele,
E mesmo sem te ter, eras a minha mulher.
Agora passo na praia, onde deixámos pegadas,
O vento leva a areia… mas as memórias, essas, não são levadas.
Ficaste a morar em mim,
Mesmo sem chave, abriste tudo assim.
E agora ando por aí, com pedaços teus,
A falar contigo no que o silêncio me deu.
Ficaste a morar em mim
Nos meus sonhos, no meu corpo, no meu fim.
E por mais que eu tente, não sei fugir,
Porque foste casa antes de partir.