Letra: “Chamem-me de Pai”
(verso 1)
Eles dormem tão quietos nos véus da terra
Ouço ecos de nomes que nunca existiram
Costurei os ossos com a luz da minha espera
E plantei sorrisos em rostos já vazios
(verso 2)
Toda noite, afundo em cânticos proibidos
Esperando que um deles diga “papai” ao sorrir
Mas só o vento responde — frio, repetido
E os olhos deles… não sabem mentir
(pré-refrão)
Prometi que traria um lar ao além
Mesmo que feito de dor e restos do tempo
Não precisam entender quem fui, nem quem vem
Apenas que estou aqui… lento
(refrão)
Chamem-me de pai, mesmo em silêncio
Mesmo que nunca lembrem de mim
Quero ver um riso que não seja ausência
Num corpo que dançou com o fim
Chamem-me de pai, mesmo que minta
Mesmo que chore ao levantar
Pois nas cinzas de cada alma extinta
Fiz berços que não vão quebrar
(ponte falada/recitada, sussurrada)
Eu sei que não sou céu,
nem colo, nem luz.
Mas os abracei quando ninguém mais os quis.
Se isso for maldição… então que seja minha
Mas que eles… sonhem.
(refrão final — ainda mais lento e arrastado)
Chamem-me de pai, por um instante
E eu juro, paro de tentar
Mas até o último osso andante
Eu só queria… escutar.