Ô morena, cê vai me largar mesmo?
Cê não volta?
A casa ainda tá bagunçada, igual o meu coração
roupa no sofá, saudade jogadas no colchão.
Seu cheiro ainda mora aqui,
mesmo você dizendo que não.
O espelho pergunta pra mim se eu tô bem,
eu respondo que sim, pra não preocupar ninguém.
Mas é só a noite chegar,
que eu volto pro mesmo lugar.
Todo dia do mesmo jeito, largada as traças,
me afogando nesse copo cheio de cachaça,
lembrando de você.
Hoje eu prometi que não ia beber,
mas a saudade decidiu aparecer,
e quando ela chega cê sabe
não tem pra onde correr.
Eu perco o juízo, perco a razão,
todo dia tendo alto flashback
da gente no colchão.
Estou tentando ser forte, mas não dá,
no mesmo jeito largar as traças.
Coração vazio,
mas o copo cheio de cachaça.
Parece que esse vazio num passa
desde o dia que você virou só.
Se você soubesse o estrago que você fez
talvez por piar você voltava outra vez.
E se te amar fosse escolher
eu já tinha parado,
mas o amor me escolheu
e me deixou largado.
Eu estou do mesmo jeito, largado às traças,
esperando você voltar
numa esperança fraca.
Se você não voltar, não tem problema, eu sobrevivo,
mas manda os produtor de cachaça
dobrar a produção
porque eu vou dar prejuízo.