o punho de frente com a faca
Rascunho diferente, golpe de quem só defende, não ataca
Ao cunho de quem sente o bate-estaca, não testemunho a favor
De quem não fecha a matraca
O brilho eterno de uma alma opaca faz o guerreiro imortal
O punho de frente com a faca, nesse momento se destaca
Não vou sair de maca
Quase que um tiro lírico, tão ilegal
Navio pirata que atraca
Chutando o pau dessa barraca
Meu verso, veneno letal
Retórica que não parece fraca
Eufórica, a memória de um babaca
O punho de frente com a faca não vale uma pataca
Por sinal, e se na multa não vier o código de placa
GNZ, 2005, poeta marginal
Não meto o pé na jaca
Minha nova rima é tão velhaca
Minha demanda é semanal
Cara de pau que lustra cabeça do pau com goma-laca
Rasteja no chão, se camufla feito jararaca
O punho de frente com a faca
Somente um louco pra meter um soco na faca de ponta
Sair rimando feito uma barata tonta, prestando conta
Se eu construo meu castelo na areia, o mar desmonta
Não é da sua conta
Se eu continuo com aquilo que comecei
Não insinuo nada, e quando tô tranquilo eu digo que errei
Sigo o caminho que meu coração aponta
Um murro na faca de ponta
Isso não me amedronta
Isso não é da sua conta
Enquanto o mundo monta teu banquete pra um falso rei
A rima nunca pronta, uma peça pronta remonta tudo que eu penso
Hoje, um dia, já pensei se eu já passei da conta — desconta
Porém, um morro na faca de ponta
Me desaponta, ele me conta
Que vou precisar de algo que eu nunca precisei