Entre Caxinas e o Mar
Entre Caxinas e o mar
o caxineiro sempre vai pescar,
remo nas costas, rede no chão,
epa, é preciso lá chegar,
com fé no peito e sal no coração.
Sai ainda a lua no céu,
mãe reza baixo, pai já partiu,
passos na areia fria,
o mar chama, o homem seguiu.
O barco range, madeira velha,
mas aguenta como a gente daqui,
quem nasce em Caxinas aprende cedo
que desistir nunca foi por ali.
O vento grita, a onda bate,
o corpo cansa, a alma não cai,
cada remada é uma promessa
de voltar vivo para o cais.
Peixe do pobre, peixe do rico,
sardinha, carapau, cavala no chão,
quando o mar fecha a mão vazia
fica só a coragem e a oração.
Entre Caxinas e o mar
há suor, lágrimas e lutar,
epa, ninguém escolheu esta vida,
mas quem é caxineiro sabe aguentar.
O sol nasce pintando o horizonte,
a rede sobe pesada ou não,
às vezes traz pão para a mesa,
às vezes só histórias na mão.
Mas o caxineiro não se queixa,
aprendeu a falar pouco e fazer,
se hoje o mar não quis dar nada,
amanhã volta a tentar outra vez.
Quando regressa ao fim do dia,
o cais escuta o seu silêncio,
cheiro a peixe, sal e vento,
mais um dia vencido no tempo.
Entre Caxinas e o mar
fica a vida inteira a balançar,
epa, enquanto houver mar e fé,
o caxineiro nunca vai parar.