O irônico de muitos velórios não é a morte… é o barulho ao redor.
O mesmo telefone que quase nunca tocava para perguntar “como você está?”
de repente não para de vibrar.
As pessoas aparecem.
Chegam abraços que ficaram para depois.
Chegam flores que nunca foram entregues em vida.
Chegam palavras bonitas que poderiam ter sido ouvidas.
Alguns choram muito.
E nem sempre é só tristeza.
Às vezes é o peso das visitas adiadas,
das ligações prometidas,
do “qualquer dia eu passo aí” que nunca aconteceu.
A morte tem um poder estranho:
ela nos faz demonstrar tarde demais o carinho que sempre existiu.
Não é falta de amor.
É a vida correndo rápido, ocupando os dias e fazendo a gente acreditar que ainda há tempo.
Mas existem afetos que não combinam com depois.
Algumas pessoas não precisam de homenagem.
Precisam de presença.
E a verdade, por mais incômoda que seja, é simples:
Não espere que o silêncio de um caixão te ensine a sentir o que você poderia ter demonstrado em vida.
Se alguém veio à sua mente agora, não ignore.
Ligue hoje.
Visite hoje.
Abrace hoje.
Porque amor verdadeiro não se prova com coroas de flores…
se prova quando ainda há batimentos cardíacos. Mãe e pai a ate na outra vida