Na festa da tia do meu "padrasto"
Um menino passou correndo bem rápido
Cabelo igual do Bieber em dois mil e dez
Um uniforme de futebol, e eu li de vez:
“Grecco” nas costas da camiseta
E um jeitinho que ninguém esqueça
Corria atrás de um cão pequenino
Chegou perto, falou com carinho:
“O nome dele é Pandero”
E eu só pensei: “Que momento verdadeiro...”
Mas o cachorrinho correu lá pra longe
E ele foi atrás, sem dar mais um nome
Pandero, volta aqui, me dá mais uma chance
De falar com o dono desse olhar que me alcance
Vi de novo no casamento, todo arrumado
Uma camisa branca, colete e ar encantado
Gravata borboleta parecia de filme inteiro
E lá se foi o dono do Pandero
Eu sabia que ia vê-lo outra vez
No casamento do parente, talvez
Mas quando o vi, fiquei só de canto
Coração batendo alto, eu quase me espanto
Camisa branca, colete por cima
Gravata borboleta, um charme que anima
Queria dizer “oi”, qualquer frase no ar
Mas a vergonha não quis me deixar
Pandero, volta aqui, me dá mais uma chance
De falar com o dono desse olhar que me alcance
Vi de novo no casamento, todo arrumado
Uma camisa branca, colete e ar encantado
Gravata borboleta parecia de filme inteiro
E lá se foi o dono do Pandero
Será que ele lembra de mim da outra festa?
Ou sou só mais alguém na multidão que resta?
Quem sabe um dia eu diga o que quero
Ou que pelo menos o destino seja sincero
Pandero, se escutar, avisa o parceiro
Que tem alguém sonhando com esse paradeiro
Na memória, ele ficou tão inteiro
Com seu charme, jeito leve e verdadeiro
Quem sabe um dia eu diga por inteiro:
“Oi… você é o dono do Pandero?”