[Verso 1]
Aqui o sistema é bruto
Não tem atalho
Não tem sinal
Meus cobres já não valem nada
Mas cobram caro no tribunal
Pago um alto tributo
Pra viver do lado de cá
Entre placa fria
Viatura
E quem sonha em escapar
Selaram a minha boca
Carimbo em cada mão
Documento vira algema
Foto vira acusação
O certo virou errado
E o errado fez mansão
Quem tenta andar direito
Tropeça na legislação
[Refrão]
Aqui o sistema é bruto
Me fizeram marginal
Lacraram minha palavra
Me chamam de caso social
Se eu grito eles chamam de surto
Se eu calo é sinal de culpar
O certo virou errado
E eu luto pra não me acostumar (hey!)
[Verso 2]
Minha mãe reza baixinho
Conta as conta na luz do portão
Fila dupla na favela
De esperança e de prestação
Fardado passa encarando
Vê número
Não vê coração
Sou estatística em planilha
Não sou gente na visão
Trabalho dobra meu corpo
Mas não dobra a condição
Cada aumento de passagem
Rouba o prato do feijão
Se reclamo sou tumulto
Se aceito
Sou mais um na mão
Me querem manso e quieto
Não aceito essa função
[Refrão]
Aqui o sistema é bruto
Me fizeram marginal
Lacraram minha palavra
Me chamam de caso social
Se eu grito eles chamam de surto
Se eu calo é sinal de culpar
O certo virou errado
E eu luto pra não me acostumar (oh, eu luto)
[Ponte]
Prenderam minha esperança
Na grade do banco central
Mas meu verso fura a cerca
Vaza por qualquer portal
Se o certo virou errado
Eu viro o jogo
Afinal
Se a rua não tem justiça
Minha voz é tribunal
[Refrão]
Aqui o sistema é bruto
Me fizeram marginal
Lacraram minha palavra
Me chamam de caso social
Se eu grito eles chamam de surto
Se eu calo é sinal de culpar
O certo virou errado
E eu luto pra não me acostumar (hey!)
(eu luto pra não me acostumar)