Chefe, meu amigo, escuta com atenção
Setenta motores, perdidos no chão
Ferro rasgado, óleo e suor
Anos de trabalho jogados fora, sem dó
Foram pro lixo como se não valessem nada
História quebrada, esperança pisada
Quem chega com peito não vira a cara
Entra no lixo, luta, não dispara
Mãos sujas de graxa, coração aberto
No meio do caos, sigo desperto
Enquanto uns fogem, eu fico de pé
Porque caráter não se compra, é fé
Mas como sempre aparece o cobarde
Fala bonito, mas foge da verdade
Só pensa em safar-se, salvar o seu
Se der errado, nunca foi ele, foi “eu”
Fazem a merda, depois querem limpar
Com palavras falsas pra se desculpar
E os outros que paguem, que vão buscar
Aquilo que eles não quiseram enfrentar
Isso não é força, isso é traição
Apontam o dedo, não dão a mão
Quem resiste carrega o peso
Quem foge vive de falso apreço
Setenta motores, setenta mentiras
Setenta promessas nunca cumpridas
No barco a afundar, ninguém quer ficar
Mas quando dá lucro, todos querem falar
Prometem união, prometem lutar
Mas na primeira queda, vão abandonar
Falam de honra, falam de irmão
Mas vendem a alma por proteção
Quando o fogo aperta, a máscara cai
Quem era amigo nunca mais sai
Ficam só os poucos, os de verdade
Os que não vendem sua dignidade
Isso não é força, isso é traição
Apontam o dedo, não dão a mão
Quem resiste carrega o peso
Quem foge vive de falso apreço
No lixo ficou ferro retorcido
Mas ficou claro quem é bandido
Não o que rouba, mas o que foge
O que destrói e depois se esconde
Eu sigo em frente, mesmo cansado
Com o corpo gasto, mas não vendido
Porque perder tudo ainda é melhor
Do que viver como um homem menor
Setenta motores, lição gravada
Na dor, na graxa, na madrugada
Quem tem peito fica até ao fim
Quem é cobarde pensa só em si
No meio do lixo nasceu a verdade
Nem todo mundo aguenta a realidade
Resistir dói, mas faz homem inteiro
Covarde vive leve… e morre vazio. Como todo bandido