(Verso 1)
No lombo do meu cavalo,
Eu sigo o cheiro do chão,
A alma veste chapéu,
E o peito é feito de oração.
O sol já beija a serra,
Enquanto a boiada vai,
Na trilha da vida dura,
O vaqueiro nunca cai.
(Verso 2)
Tenho calo nas mãos,
Mas é do amor que machuca,
Na estrada que a gente escolhe,
Nem sempre o rumo educa.
Já deixei mulher chorando,
E promessa pela metade,
Mas o campo me chama alto,
Mais forte que a saudade.
(Refrão)
Sou vaqueiro de alma livre,
Coração valente e inteiro,
Entre o gado e o pôr do sol,
Vou cantando meu roteiro.
Com meu chapéu surrado,
E a fé no tempo certeiro,
Nessa vida de poeira,
Sou só um coração de vaqueiro.
(Verso 3)
A sanfona chora longe,
Lá no forró da estação,
Enquanto conto os meus troféus
Guardados no coração.
Mas trocava a medalha
Por um beijo de volta dela,
A rainha da minha cela,
Que fugiu sem deixar novela.
(Ponte)
E se a chuva não vier,
Eu rezo pro céu abrir,
Mas se o amor se perder,
Só a estrada pra me seguir.
Sou raiz, sou espinho,
Sou estrada de barro e sol,
Mas o peito ainda sonha
Com um amor feito anzol.
(Refrão)
Sou vaqueiro de alma livre,
Coração valente e inteiro,
Entre o gado e o pôr do sol,
Vou cantando meu roteiro.
Com meu chapéu surrado,
E a fé no tempo certeiro,
Nessa vida de poeira,
Sou só um coração de vaqueiro.
(Verso 4 - final com emoção)
Se um dia eu me for primeiro,
Deixem meu chapéu no chão,
Uma sela na estaca,
E essa canção no violão.
Porque a vida de vaqueiro
É nascer pra cavalgar,
E morrer com o vento no rosto,
E o campo no olhar...
(Último refrão – versão emocional)
Sou vaqueiro de alma livre,
Coração batendo inteiro,
Mesmo que o mundo mude,
Sigo firme, verdadeiro.
Com meu berrante ao peito,
E um destino missioneiro,
Na canção do sertão,
Eu sou só...
Um coração de vaqueiro.