Cheff
O mundo nunca parou,
o homem nunca quis parar,
sempre a correr atrás do poder,
pisando tudo sem olhar.
Assalta a terra, rouba o pão,
chama progresso à destruição,
pra matar inventa desculpa,
pra ferir chama de nação.
O mundo está perdido,
o homem perdeu o juízo,
repete o erro no mesmo lugar
como se o sangue fosse aviso pequeno.
Nunca aprenderam a falar,
só sabem berrar e mandar,
puxa aqui, arrebenta ali,
como se a dor fosse normal.
Rasgando mapas com canetas,
decidem quem vai viver,
mas no chão ficam corpos pequenos
que ninguém quis defender.
Crianças dormem com o medo,
acordam com o som do trovão,
não é chuva que cai do céu,
é bomba, fogo e condenação.
Brinquedos viram destroços,
escolas viram pó,
a infância acaba cedo
quando a guerra bate à porta só.
O mundo vê pela televisão,
muda de canal, vai jantar,
como se a dor fosse um filme
que dá pra desligar.
Deixa o homem sofrer? Não.
Deixa a criança sangrar.
Ela nunca escolheu a guerra,
mas aprende cedo a odiar.
Meia hora no lugar dela,
meia hora sem proteção,
meia hora sem pai nem mãe,
só medo, fome e escuridão.
Será que aí o homem aprende?
Será que o orgulho cai no chão?
Ou só entende a dor do outro
quando sente na própria mão?
Enquanto isso o mundo gira,
os líderes fingem rezar,
falam de paz em microfones
com as mãos sujas de matar.
O homem esqueceu que é homem,
virou número, virou cifrão,
e a criança da guerra cresce
sem infância e sem perdão.
Até quando esse ciclo segue?
Até quando o céu vai arder?
Se nem o choro inocente
faz o mundo se arrepender.