era peão de muito tempo
criado no pé do chão
conhecia onça e boi
e conhecia a escuridão
nunca foi de ir a missa
nem de ouvir consagração
falava que deus é coisa
de quem tem fraco o coração
voltava tarde da lida
no caminho do sertão
lua clara clareando
a poeira do estradão
quando o mato fez barulho
que não era de animal
o peão logo notou
algo errado no local
oque tinha no escuro
não era feito normal
caiu de joelhos no chão
e começou sua oração
naquela noite o peão
aprendeu
oque é ter religião
não era gente nem bicho
não era coisa do chão
era figura mal feita
que Deus não pôs na criação
o seu suor virou gelo
travou a perna,o braço e a mão
nunca a onça ,nem a morte
fez tremer o peão
caiu de joelhos no chão
e começou sua oração
naquela noite o peão
aprendeu
oque é ter religião
caiu de joelhos no chão
e começou sua oração
naquela noite o peão
aprendeu
oque é ter religião
a figura por si ,naquele momento correu
foi pro meio do mato
nunca mais apareceu
mesmo o peão que tanto zombou
Deus o atendeu
caiu de joelhos no chão
e começou sua oração
naquela noite o peão
aprendeu
oque é ter religião
caiu de joelhos no chão
e começou sua oração
naquela noite o peão
aprendeu
oque é ter religião
hoje ele passa na estrada
com respeito e atenção
quando a lua cresce
ele faz sua oração
hoje ele vai a igreja
pra celebrar sua vida
esse peão só tem medo
do lobisomem da avenida
caiu de joelhos no chão
e começou sua oração
naquela noite o peão
aprendeu
oque é ter religião