(Intro)
Yeah…
No silêncio da cidade,
a verdade fala baixo, mas pesa.
(Verso 1)
Cresci onde o sol nasce tarde
E a esperança dorme pouco
Mãe rezando baixinho
Pra eu não virar estatística de novo
Caderno vazio, mente cheia
Aprendi cedo a observar
Quem fala muito não sobrevive
Aqui é saber quando calar
A rua ensina sem diploma
Cada esquina é um sermão
Vi amigo virar lembrança
Por confiar no próprio coração
Não é vitimismo, é vivência
Cada linha é cicatriz
Meu sonho é simples, parceiro
Só viver do que eu sempre fiz
(Refrão – chiclete)
Minha voz vem da madrugada
Ecoa onde ninguém vê
É verdade não filtrada
É sobreviver ou morrer
Minha voz vem da quebrada
Não se vende, não se cala
Enquanto tentam me parar
Eu transformo dor em fala
(Verso 2)
Tentaram me rotular cedo
Mas não leram minha alma
Carrego peso no peito
Mas sigo firme, mente calma
Não corro atrás de status
Nem de ouro pra postar
Meu brilho vem da luta
Que não dá pra fotografar
Vejo o sistema sorrindo
Quando a gente cai no chão
Mas também vejo irmãos
Se levantando na contramão
Não sou herói nem vilão
Sou consequência do lugar
Onde a fé anda descalça
Mas não deixa de caminhar
(Refrão)
Minha voz vem da madrugada
Ecoa onde ninguém vê
É verdade não filtrada
É sobreviver ou morrer
Minha voz vem da quebrada
Não se vende, não se cala
Enquanto tentam me parar
Eu transformo dor em fala
(Ponte)
Se eu cair, levanto só
Se eu vencer, levo geral
Minha luta é diária
Meu inimigo é estrutural
(Verso 3)
Hoje eu falo com consciência
Ontem eu falava com medo
Não é sorte, é resistência
Aprendi errando cedo
Se o mundo fecha as portas
Eu aprendo a entrar pela fresta
Porque quem nasce invisível
Aprende a virar tempestade
(Outro)
Da rua pra vida…
Da dor pra canção…
Isso não é moda,
É sobrevivência em forma de som.