Favela pede paz…
Mas o sistema não escuta não.
Só vê número, estatística,
Nunca vê o coração.
(Verso 1)
Criança perdida cedo demais na escuridão,
Sem escolha, sem caminho, sem opção.
Brinquedo vira trauma, sonho vira prisão,
Enquanto o rico dorme em berço de proteção.
Mãe chora em silêncio, ajoelhada no chão,
Filho virou manchete, mais um nome no caixão.
A rua ensina errado, mas foi a única escola,
Porque o Estado nunca chega, só aparece com pistola.
(Refrão)
A favela pede paz, mas recebe bala,
Criança vira soldado antes de virar fala.
Sistema filho da puta que só sabe roubar,
Rouba dignidade e finge não enxergar.
A favela pede paz, quer chance, quer viver,
Mas o pobre sofre e ninguém quer ver.
Enquanto eles contam lucro, nós contamos os mortos,
Mais um jovem perdido pros caminhos tortos.
(Verso 2)
O crime ilude, promete o que o sistema negou,
Dinheiro rápido, respeito que nunca chegou.
Mas a conta vem pesada, cadeia ou caixão,
E quem fez a promessa nunca pisa no chão.
Político de terno, discurso decorado,
Fala de mudança, mas some depois do voto contado.
Nunca pisou no barro, nunca sentiu o medo,
Nunca ouviu um tiro rasgando o próprio enredo.
(Ponte)
Quem vai devolver a infância roubada?
Quem vai secar lágrima de mãe cansada?
Quem lucra com a dor nunca paga o preço,
O pobre paga tudo, até com o próprio endereço.
(Refrão)
A favela pede paz, mas recebe bala,
Criança vira soldado antes de virar fala.
Sistema filho da puta que só sabe roubar,
Rouba dignidade e finge não enxergar.
A favela pede paz, quer chance, quer viver,
Mas o pobre sofre e ninguém quer ver.
Enquanto eles contam lucro, nós contamos os mortos,
Mais um jovem perdido pros caminhos tortos.
(Final)
Favela não é crime, é sobrevivência,
Crime é roubar futuro e chamar de incompetência.
Enquanto existir fome, desigualdade e opressão,
A favela vai gritar…
Paz não é favor, é obrigação.