Ummm… uuuu…
Mar calado, céu pesado
Caxinas choram em silêncio…
[Verso 1]
Acordou cedo a vila inteira
Cheiro a sal, rede na mão
Mães na porta, fé nos olhos
Pais a fazer o sinal da cruz no coração
O mar chamava como sempre
Prometia o pão de cada dia
Mas naquele amanhecer
Já trazia morte escondida
[Pré-Refrão]
O vento mudou de repente
O céu fechou sem avisar
E no peito de cada homem
Havia medo… mas era preciso ir ao mar
[Refrão]
Foi o dia em que os barcos não voltaram
Foi o dia em que o mar traiu
As Caxinas vestiram-se de preto
E o silêncio mais alto se ouviu
Foram nomes gritados na areia
Foram lágrimas sem voz nem chão
O mar levou filhos e pais
Mas não levou a nossa união
[Verso 2]
As mulheres ficaram à espera
Olhos presos no horizonte
Cada onda trazia esperança
Cada hora quebrava um pouco mais a ponte
Sinos tocaram sem festa
Só dor a ecoar na freguesia
O mar virou cemitério
E a vila virou poesia
[Pré-Refrão 2]
Quem nasce do mar sabe bem
Que viver é também arriscar
Mas nenhuma mãe está pronta
Para ver um filho não regressar
[Refrão]
Foi o dia em que os barcos não voltaram
Foi o dia em que o tempo parou
As Caxinas choraram juntas
Cada rua um funeral ficou
Mas da dor nasceu promessa
Nunca esquecer, nunca calar
Enquanto houver mar e memória
Os nossos mortos vão navegar
[Ponte]
Ó mar, respeita esta terra
Que te deu sangue e suor
Não nos tires a esperança
Já nos tiraste demais, senhor mar
[Refrão Final]
Foi o dia em que os barcos não voltaram
Mas a vila não se afundou
Das cinzas, da dor, da saudade
Uma força maior nasceu
Caxinas de fé e coragem
De luto, mas de pé
Enquanto houver mar à frente
Haverá nomes vivos na maré
[Outro]
Ummm… uuuu…
Mar em silêncio…
Caxinas em memória… 🌊⚓