Olhares fixos em janelas de cristal
Um brilho azul que torna tudo igual
Onde o silêncio não é paz, é solidão
Mil seguidores, mas nenhum aperto de mão
Eles moldam o rosto pra lente focar
Mas esqueceram o caminho de como se olhar.
Verso 2
O prato esfria enquanto o filtro é escolhido
O momento morre pra ser exibido
É uma fome de ego, um banquete de vento
Ninguém tem tempo pra viver o sentimento
A pressa de postar roubou o prazer
De simplesmente estar, de apenas ser.
Refrão
É a geração do vácuo, do brilho sem cor
Que desaprendeu o alfabeto do amor
Só sabem postar, não sabem sentir
Têm dentes perfeitos, mas não sabem sorrir!
É o eco de vidro, é o nada no altar
Uma geração que esqueceu como amar.
Verso 3
Palavras vazias em legendas editadas
Vidas perfeitas em casas isoladas
Ninguém mais chora sem ter um roteiro
O luto é vitrine, o afeto é parceiro
De um algoritmo que dita o que vale
Enquanto a alma no peito se cale.
(Ponte: O ritmo cai, a guitarra fica limpa e melancólica, crescendo para um grito)
Sentir não dá cliques...
Amar não dá views...
O peito transborda o que o dedo excluiu!
Vocês estão vivos?
Ou são só arquivos?
GRITA