No dia em que íamos nós,
pela rua sem pressa,
a chuva caía em punhados,
gelada, mas doce,
molhando teu vestido leve,
teus cabelos longos, colados na pele.
Tu dançava sem medo,
rindo da vida, dos pingos, de mim.
E eu, perdido,
louco te olhando,
coração batendo fora do compasso.
Me canta uma canção,
um som só nosso,
feito de passos na calçada,
do som da chuva no asfalto,
do teu perfume misturado com o vento.
Lembra daquele beijo?
No meio da rua,
sem ninguém por perto,
só nós dois,
o mundo desfeito em gotas d’água.
Tu sorriu,
eu te beijei,
teus olhos eram fogo na chuva.
Meu coração gritava,
mas tua voz era sussurro:
"Fica comigo."
E a gente ficou,
molhados,
dançando,
como se a rua fosse palco,
e a chuva, nossa canção.
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