O Riso Que Me Tiraram
Pai, lembras-Te do dia
em que meu irmão mandou vir uma alma
para caminhar comigo no trabalho?
Pai, obrigado por essa alma,
porque nela encontrei espelho e cuidado,
ela viu quem eu era
quando eu já quase não me via.
Ela devolveu-me o sorriso
que o mundo me tinha roubado,
fez do pouco um orgulho limpo,
fez da rotina um abraço calado.
Mas meu irmão não aceitou, Pai…
não aceitou ver-me levantar.
Juntou-se ao seu amigo
não para amar, mas para me baixar,
tentaram fazer-me pequeno
com medo de eu crescer,
com medo da luz que nasce
quando alguém escolhe não trair.
Pai, Tu sabes a verdade.
Eu nunca quis poder,
nunca quis mandar,
eu só queria respeito
e um lugar onde o amor pudesse ficar.
Não quis subir pisando ninguém,
não quis vencer ferindo irmão.
Quis apenas trabalhar em paz
com dignidade no coração.
Mas meu irmão tirou-me o riso da alma,
não com mãos, mas com gestos frios,
não com gritos, mas com alianças,
não com justiça, mas com medo escondido.
Mesmo assim, Pai, eu fiquei.
Não endureci o coração,
não troquei amor por vingança,
não troquei verdade por posição.
Se me fizeram pequeno aos olhos deles,
grande me fiz aos Teus olhos, Pai.
Porque quem anda com respeito e amor
nunca cai — mesmo quando dói.
Guarda Tu o riso que me tiraram,
porque eu sei:
no tempo certo,
Tu devolves tudo
em forma de paz. ✨