Mesmo eu querendo o bem dele
Ele nunca quis o meu
Usava facas nas palavras
Pra cortar tudo o que sou eu
Ele cuspia ódio lento
Pra me ver sangrar por dentro
Queria me ver pequeno
Queria roubar meu tempo
Ele dizia: “abaixa a cabeça”
Ele ria da minha dor
Cada frase era uma lâmina
A cortar sem sentir amor
Ele tinha o poder na mão
Mas não tinha paz no coração
Porque quem vive de ferir
Já vive em perdição
Ele tentou me afundar
Me fazer perder o chão
Mas a luz do céu desceu
E entrou no meu pulmão
Respirei o ar que Deus deixou
Quando tudo quis me calar
E eu gritei mesmo ferido:
Obrigado, Pai, ainda posso respirar
Mesmo com as facas a me cortar
Mesmo com o medo a gritar
Ele mandava eu me abaixar
Pra se sentir maior que eu
Mas quem anda com Deus
Nunca fica só no breu
Ele vai lembrar, eu sei
De cada faca que lançou
Das palavras que feriram
Do desprezo que espalhou
Porque a vida cobra em silêncio
O que a boca cuspiu em vão
Quem planta ódio na estrada
Colhe peso no coração
Eu fiquei de pé, ferido
Mas com a alma limpa e fiel
Ele ficou com o poder
Eu fiquei com Deus e o céu
Não devolvi corte em corte
Não respondi com veneno
Porque a minha força vem
De não ser como ele, mesmo
Hoje eu respiro livre
Mesmo com cicatriz
Ele ainda foge do espelho
Porque sabe o que fez
E se um dia me encontrar
Vai baixar o olhar no chão
Porque eu sobrevivi às facas dele pai meu deus
E ele não venceu meu coração