Eu vim de um ciclo de dor,
de noites sem cor, de cansaço no peito,
carregando feridas em silêncio,
me acostumando a viver sem jeito.
Foi quando o destino soprou teu nome,
e no meio do caos você apareceu,
Cleiton me tirou do fundo da alma,
curou a mulher que o mundo esqueceu.
Não tô dizendo que é tudo flores,
mesmo eu amando flor demais,
você me ensinou que eu mereço beleza,
ver perfume vivo nos meus dias normais.
Hoje eu paro e sinto o cheiro,
das rosas que eu nunca me dei,
e entendo que amar também é isso,
descobrir partes minhas que abandonei.
Você me deixa triste às vezes,
não vou mentir, eu sei sentir,
mas é trabalhador, carinhoso, presente,
e me faz ter vontade de insistir.
Perfeição eu sei que não existe,
ninguém nasce pronto pra amar,
mas o mais perto que eu já cheguei dela
foi no teu jeito de me olhar.
Com você eu me senti livre,
amada, querida, desejada também,
teu abraço me prende na vida,
e teu calor me faz ir além.
Quando tua mão toca minha cintura,
o mundo inteiro some de vez,
e eu deliro entre medo e ternura,
como quem renasce outra vez.
O gosto do teu beijo é de casa,
de presença, de paz, de calor,
de alguém que chega e permanece,
mesmo nos dias sem cor.
Até aqui eu acredito,
até aqui eu digo sem dor:
se isso não for amor na terra,
então eu não sei o que é amor.
Porque sentir você na alma,
mesmo sem saber explicar,
é o sentimento mais bonito
que meu peito pôde guardar.