Estamos nos princípios de dores,
no sussurro dos ventos que anunciam,
no estremecer silencioso da terra cansada,
no compasso acelerado dos dias que fogem.
Há um eco no tempo,
um chamado que atravessa eras,
um aviso gravado nas entrelinhas da história.
Estamos no início do ômega,
onde o fim se veste de começo,
onde o último sopro prepara o primeiro canto.
Tudo converge para um ponto invisível,
um encontro marcado antes do tempo existir.
E ainda assim, esperamos.
Nós o aguardamos,
com os olhos erguidos além do horizonte,
com a alma inclinada ao eterno,
com o coração desperto na vigília.
Pois o senhor vem,
não como os homens esperam,
mas como a promessa que nunca falha.
Pois o rei vem,
em glória que não se pode conter,
em luz que rompe toda sombra,
em verdade que desfaz toda ilusão.
E o mundo, mesmo distraído,
sentirá o peso suave da eternidade
tocando o agora.
Estou adornada,
não com ouro que perece,
nem com vestes que o tempo desgasta,
mas com fidelidade silenciosa,
com esperança que resiste à noite,
com amor que não negocia sua chama.
Estou ligada,
como ramo à videira viva,
como voz ao sopro que a sustenta.
Há uma conexão invisível,
um fio eterno que não se rompe,
mesmo quando tudo ao redor se desfaz.
Minhas lamparinas não se apagam,
mesmo quando o vento insiste,
mesmo quando a noite se alonga demais.
Eu protejo a chama com minhas mãos,
eu alimento o fogo com minha fé,
eu guardo o óleo como quem guarda vida.
Sou prudente, e preparada,
não porque conheço o tempo,
mas porque conheço a promessa.
Aprendi a esperar sem dormir,
a confiar sem ver,
a permanecer quando seria fácil partir.
O noivo, aguardo ansiosamente,
como quem ouve passos ao longe,
como quem reconhece uma voz no silêncio.
Há uma saudade que não sei explicar,
um desejo que não nasceu aqui,
uma certeza que antecede a razão.
Pois meu senhor vem,
e cada batida do coração confirma,
cada lágrima derramada testemunha,
cada oração sussurrada ecoa.
Ele vem, e isso basta.
Meu rei vem,
e com ele, tudo será restaurado.
O que foi quebrado encontrará forma,
o que foi perdido encontrará sentido,
o que foi esquecido será lembrado na eternidade.
E enquanto espero,
eu caminho entre dias comuns,
eu respiro entre rotinas simples,
eu existo no intervalo da promessa.
Mas dentro de mim,
há um altar aceso,
há um cântico que não cessa.
Os céus parecem mais próximos,
como se estivessem inclinados,
como se observassem em silêncio reverente.
A criação inteira suspira,
aguardando o momento exato,
o instante que mudará tudo.
Há sinais nos tempos,
há marcas no caminho,
há alertas que poucos percebem.
Mas aqueles que vigiam,
que guardam suas lamparinas,
reconhecem o mover invisível.
Não me distraio com o ruído,
não me perco nas urgências vazias.
Há algo maior me chamando,
há um propósito que pulsa eterno.
E eu escolho permanecer.
Mesmo quando o cansaço vem,
mesmo quando o silêncio pesa,
mesmo quando a dúvida tenta entrar,
eu me lembro: Ele prometeu.
E sua palavra não retorna vazia.
Vem, vem . Jesus. Vem, vem . Jesus.