Retratos
Guardo na memória
uma coleção de rostos.
Ninguém ficou no agora,
mas todos deixaram aprendizados
marcados em mim.
Com o primeiro, aprendi
que um beijo pode ser estranho.
E com o segundo, vi o tamanho
do erro que é se entregar
à curiosidade de um instante,
sem pensar onde vai dar.
Houve quem me mostrou
que gostar uma vez de algo
não significa que o "para sempre" chegou.
E outro rosto, um amigo, um fidalgo,
me fez questionar o porquê:
"Estou fazendo isso por mim
ou pra alguém não me excluir?"
Entendi que se vingar
não traz paz alguma,
é como gritar com o mar.
E que, na maioria das vezes, por mais que eu presuma,
as pessoas não querem a verdade;
preferem a ilusão confortável
que criaram para a própria felicidade.
E teve quem,
chegou sem aviso,
provando que o amor pode acontecer
quando menos se espera, de improviso.
E nossa primeira conversa já dizia
que algumas almas são especiais
desde o primeiro dia.
Houve o beijo que foi encaixe,
perfeito, como se fosse destino.
Mas também houve quem, por mais que eu gritasse,
não respeitou meu caminho.
E na outra ponta, quem quis muito,
mas soube honrar o meu "não",
entendendo o assunto.
Jurei de pé junto não perdoar uma dor,
mas a gente perdoa, sim.
Vi de perto a insegurança matar um amor,
colocando em tudo um ponto final, um fim.
E por último, a lição mais forte:
Amar pode ser a ferida mais profunda,
pode te quebrar, pode ser sorte ou morte.
Mas é também a força que te inunda,
que te faz sentir vivo como nunca antes.
Todos se foram.
São retratos, distantes.
Mas as lições que eles deixaram
me fizeram quem eu sou neste instante.